

A "polêmica musical" entre Noel Rosa e Wilson Batista ocorrida na década de 1930 é um ótimo caso para uma atividade pedagógica de conscientização das relações raciais no Brasil.
Observada em seu contexto a polêmica é uma espécie de representação do conflito entre dois mundos que se opõem e se complementam numa época em que todas as energias da sociedade estão em ebulição.
É o período do Estado Novo nos anos 30 em que o país se encontra em acelerada urbanização e industrialização e as relações entre negros e brancos ganham novos contornos.
Noel Rosa e Wison Batista tem em comum o gosto pelo samba, a musicalidade e o talento, além de viverem cada um a seu modo, o "mundo do samba". É um período em que o sambista já não corre tanto da polícia e há um forte sentimento nacionalista no ar. Mas, especialmente para o negro é um ambiente perigoso, onde ele é visto como ameaça e que para ter sua identidade respeitada é preciso negociá-la, seja na malandragem, seja na valentia.
Foi neste cenário que nasceu a rivalidade entre os dois sambista que protagonizam em alto estilo seus papéis de mocinho e vilão neste episódio das relações raciais no Brasil.
De um lado, Wilson Batista representa o malandro, negro, suburbano, pobre e talentoso. Nascido em Campos em 1913 compôs o primeiro samba aos 16 anos, trabalhava nos bastidores do teatro de revista, morava na Lapa e frequentava seus cabarés, era o boêmio pobre.
De outro lado, Noel Rosa representa o boêmio 'boa vida', frequentador do Café Nice onde se reuniam os "doutores" e morador de um bairro tradicional típico de classe média e foi estudante de medicina.
A "rixa" começou depois que Wilson Batista fez um samba exaltando a malandragem, "Lenço no pescoço" (2) e Noel compôs o samba "Rapaz Folgado" (3).
O duelo teve mais alguns sambas provocativos entre os dois e Wilson pouco sutil, apelou para exaltar o defeito físico de Noel, a polêmica terminou, ficaram amigos e gravaram juntos.
Observada em seu contexto a polêmica é uma espécie de representação do conflito entre dois mundos que se opõem e se complementam numa época em que todas as energias da sociedade estão em ebulição.
É o período do Estado Novo nos anos 30 em que o país se encontra em acelerada urbanização e industrialização e as relações entre negros e brancos ganham novos contornos.
Noel Rosa e Wison Batista tem em comum o gosto pelo samba, a musicalidade e o talento, além de viverem cada um a seu modo, o "mundo do samba". É um período em que o sambista já não corre tanto da polícia e há um forte sentimento nacionalista no ar. Mas, especialmente para o negro é um ambiente perigoso, onde ele é visto como ameaça e que para ter sua identidade respeitada é preciso negociá-la, seja na malandragem, seja na valentia.
Foi neste cenário que nasceu a rivalidade entre os dois sambista que protagonizam em alto estilo seus papéis de mocinho e vilão neste episódio das relações raciais no Brasil.
De um lado, Wilson Batista representa o malandro, negro, suburbano, pobre e talentoso. Nascido em Campos em 1913 compôs o primeiro samba aos 16 anos, trabalhava nos bastidores do teatro de revista, morava na Lapa e frequentava seus cabarés, era o boêmio pobre.
De outro lado, Noel Rosa representa o boêmio 'boa vida', frequentador do Café Nice onde se reuniam os "doutores" e morador de um bairro tradicional típico de classe média e foi estudante de medicina.
A "rixa" começou depois que Wilson Batista fez um samba exaltando a malandragem, "Lenço no pescoço" (2) e Noel compôs o samba "Rapaz Folgado" (3).
O duelo teve mais alguns sambas provocativos entre os dois e Wilson pouco sutil, apelou para exaltar o defeito físico de Noel, a polêmica terminou, ficaram amigos e gravaram juntos.

Caetano Veloso fez há pouco uma série de três shows chamado "Ordem em Progresso" no Vivo Rio (RJ) num deles conforme consta em sua página: "Caetano dá aula sobre Feitiço da Vila, composição de Noel Rosa: o que sua letra pode nos ensinar sobre as relações raciais/culturais no Brasil?"
Caetano interpreta a letra do samba "Feitiço da Vila" dando ênfase em algumas palavras e versos, faz insinuações e pequenos comentários que revelam alguns significados racistas na resposta de Noel Rosa a Wilson Batista.
A descontrução do racismo está exemplificada na "aula" de Caetano que oferece um excelente material de referência para que possamos fazer uma análise das relações raciais no Brasil, observando o seu contexto histórico, social e cultural o que atende a demanda por referências para o cumprimento da lei 11.645/08.
Caetano interpreta a letra do samba "Feitiço da Vila" dando ênfase em algumas palavras e versos, faz insinuações e pequenos comentários que revelam alguns significados racistas na resposta de Noel Rosa a Wilson Batista.
A descontrução do racismo está exemplificada na "aula" de Caetano que oferece um excelente material de referência para que possamos fazer uma análise das relações raciais no Brasil, observando o seu contexto histórico, social e cultural o que atende a demanda por referências para o cumprimento da lei 11.645/08.
Veja o vídeo:
Feitiço da Vila De: Noel Rosa e Vadico
Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos,
Do arvoredo e faz a lua,
Nascer mais cedo.
Lá, em Vila Isabel,
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba.
São Paulo dá café,
Minas dá leite,
E a Vila Isabel dá samba.
A vila tem um feitiço sem farofa
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem
Tendo nome de princesa
Transformou o samba
Num feitiço decente
Que prende a gente
O sol da Vila é triste
Samba não assiste
Porque a gente implora:
"Sol, pelo amor de Deus,
não vem agora
que as morenas
vão logo embora
Eu sei tudo o que faço
sei por onde passo
paixao nao me aniquila
Mas, tenho que dizer,
modéstia à parte,
meus senhores,
Eu sou da Vila!
Lenço no Pescoço Composição: Wílson Batista
Meu chapéu do lado
Tamanco arrastando
Lenço no pescoço
Navalha no bolso
Eu passo gingando
Provoco e desafio
Eu tenho orgulho
Em ser tão vadio
Sei que eles falam
Deste meu proceder
Eu vejo quem trabalha
Andar no miserê
Eu sou vadio
Porque tive inclinação
Eu me lembro, era criança
Tirava samba-canção
Comigo não
Eu quero ver quem tem razão
E eles tocam
E você canta
E eu não dou
Rapaz Folgado De: Noel Rosa
Deixa de arrastar o teu tamanco
Pois tamanco nunca foi sandália
E tira do pescoço o lenço branco
Compra sapato e gravata
Joga fora esta navalha que te atrapalha
Com chapéu do lado deste rata
Da polícia quero que escapes
Fazendo um samba-canção
Já te dei papel e lápis
Arranja um amor e um violão
Malandro é palavra derrotista
Que só serve pra tirar
Todo o valor do sambista
Proponho ao povo civilizado
Não te chamar de malandro
E sim de rapaz folgado
Este vídeo oferece um perfil do bairro Vila Isabel.
Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos,
Do arvoredo e faz a lua,
Nascer mais cedo.
Lá, em Vila Isabel,
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba.
São Paulo dá café,
Minas dá leite,
E a Vila Isabel dá samba.
A vila tem um feitiço sem farofa
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem
Tendo nome de princesa
Transformou o samba
Num feitiço decente
Que prende a gente
O sol da Vila é triste
Samba não assiste
Porque a gente implora:
"Sol, pelo amor de Deus,
não vem agora
que as morenas
vão logo embora
Eu sei tudo o que faço
sei por onde passo
paixao nao me aniquila
Mas, tenho que dizer,
modéstia à parte,
meus senhores,
Eu sou da Vila!
Lenço no Pescoço Composição: Wílson Batista
Meu chapéu do lado
Tamanco arrastando
Lenço no pescoço
Navalha no bolso
Eu passo gingando
Provoco e desafio
Eu tenho orgulho
Em ser tão vadio
Sei que eles falam
Deste meu proceder
Eu vejo quem trabalha
Andar no miserê
Eu sou vadio
Porque tive inclinação
Eu me lembro, era criança
Tirava samba-canção
Comigo não
Eu quero ver quem tem razão
E eles tocam
E você canta
E eu não dou
Rapaz Folgado De: Noel Rosa
Deixa de arrastar o teu tamanco
Pois tamanco nunca foi sandália
E tira do pescoço o lenço branco
Compra sapato e gravata
Joga fora esta navalha que te atrapalha
Com chapéu do lado deste rata
Da polícia quero que escapes
Fazendo um samba-canção
Já te dei papel e lápis
Arranja um amor e um violão
Malandro é palavra derrotista
Que só serve pra tirar
Todo o valor do sambista
Proponho ao povo civilizado
Não te chamar de malandro
E sim de rapaz folgado
Este vídeo oferece um perfil do bairro Vila Isabel.
Agradecimento: Ras Adauto
Fontes consultadas:
Sobre o conceiro de Descontrução (J.Derrida) ver artigo em:
http://www.eca.usp.br/nucleos/njr/espiral/tecno9.htm
Artigo s/ a Polêmica: Noel Rosa e Wilson Batista
http://www.brasilcultura.com.br/conteudo.php?id=652&menu=92&sub=678
Artigo de Luis Nacif: http://www.acessa.com/gramsci/?id=418&page=visualizar
Dicionário Cravo Albim de Música Popular Brasileira http://www.dicionariompb.com.br/default.asp