23 de set de 2009

Insultos raciais e de gênero no língua portuguesa

Os nomes de animais e os insultos
Há muito tempo, os nomes de animais são usados para emitir xingamentos e, na maioria dos casos, denegrir a imagem das pessoas. Existe uma explicação — ou, pelo menos, uma motivação — para alguns desses usos, mas a escolha de determinados nomes simplesmente não segue nenhum tipo de lógica.
Alguns motivos são bem óbvios. Constata- -se, por exemplo, o porquê de alguém chamar outro pejorativamente de “baleia” ou “elefante”: o significado está ligado ao tamanho dos animais, duas das maiores espécies na natureza. Nessa mesma linha estão a vaca e o urso, que também são usados com outros sentidos pouco engrandecedores.
Há ainda o velho e conhecido “burro”, que vem acompanhado de outros nomes como asno, jumento, jegue e anta, dentre outros, usados para destacar as características de alguém que, na concepção do outro, tem deficiência intelectual. Esses são mais complicados de entender, já que não há relação entre os animais citados e inteligência (ou falta dela). Pode-se encontrar a resposta talvez no fato de o burro ser um animal que aceite carregar grandes cargas sem reclamação ou mesmo, como muitos dizem, geralmente andar com dois tapa-olhos que só lhe permitem olhar para frente e nunca para os lados, numa comparação com alguém sem expectativa que só olha e só vai para onde os outros mandam. Além desses citados, usa-se, com frequência, o vocábulo “galinha” para se referir a uma pessoa que namora várias outras em curto espaço de tempo ou mesmo simultaneamente.
Como esses, há vários outros termos com nomenclatura animal que são usados de forma pejorativa. Podem até variar a função ou intenção do insulto, mas estão sempre ligadas a uma relação social. Um dos principais modos de estigmatização é a pobreza, no que se relaciona à visão de tratar e ver os dominados como animais, quase animais ou não inteiramente pertencentes à ordem social. Os insultos raciais seguem essa lógica. Como instrumentos de humilhação, sua eficácia reside justamente em demarcar o afastamento do “insultador” em relação ao insultado, remetendo-o ao terreno da pobreza, da desigualdade social, da sujeira e da animalidade.
Os insultos raciais
De acordo com o autor Antônio Sérgio Guimarães , em se tratando de insultos verdadeiramente raciais, a animalidade é atribuída, na maioria dos casos, como ‘macaco’ e ‘urubu’, usados indistintamente para ambos os sexos. Já quando se trata de mulheres negras, o insulto racial é acompanhado, muitas vezes, de insulto sexual, que iguala mulheres a animais para atribuir-lhes devassidão moral, usando termos tais como: “vaca”, “galinha” ou “cadela”.
Em linhas gerais, a intenção do insulto está quase sempre ligada a uma relação de poder: o grupo dominante precisa monopolizar as melhores posições sociais em termos de poder e prestígio. O ser humano, na maioria das vezes, não percebe que ao fazer uso de nomes de animais para tentar exprimir sua ira está, na verdade, se animalizando também, pois entra no universo animal e traz suas características para o convívio social.
Existe, em quase todos os casos, sempre um nome que já está consagrado, que é referência para a maior parte das pessoas. Nomes como baleia, galinha e veado estão sacramentados na opinião popular para caracterizar respectivamente pessoas obesas, pessoas namoradeiras e homossexuais do sexo masculino.
Sendo o ser humano responsável pela sociedade em que vive, atribuindo nomes aos animais, agora se utiliza deles para menosprezar o semelhante. Portanto, é necessário que ele atenda ao conselho do sábio. Essa “arte” de xingar nunca vai acabar, ao menos que se descarte o insulto, a palavra dura, e pratiquese a arte de falar bem dos outros, elogiando e, assim, coloque os animais em seus lugares com a utilidade que lhes são peculiares, dando a eles o devido respeito.
Possivelmente está ainda em tempo de voltar às origens e alterar a frase “A minha sogra é uma santa” para “A minha sogra é uma vaca” e com isso fazer um belíssimo elogio.
Insultos raciais: afigura humana na caracterização popular e os nomes de animais: leia o artigo completo, aqui.